segunda-feira, 3 de abril de 2017

Engajamento Social

Estamos em abril, a um mês do maio roxo.

O maio roxo é um movimento global que tenta conscientizar as pessoas acerca das doenças inflamatórias intestinais.

Todo mundo está sempre correndo tanto, fazendo mil coisas que não paramos um segundo pra pensar no quanto é importante esse processo de conscientização da nossa doença.

Vocês acham que essa medicação de alto custo que conseguimos do governo, veio de mão beijada? Precisou de muitas pessoas, muitas associações, provavelmente muitas ações judiciais para que esses medicamentos fossem considerados imprescindíveis à nossa saúde.

Por isso é importantíssimo se mexer, se mover, você faz uso dos benefícios que conseguiram? Lute para conseguir mais! Seja engajado, doe um pouco do seu tempo, fale com seus vizinhos, conte para seus colegas sobre a doença. Quanto mais gente souber, melhor. Não é vergonha lutar pelo seu espaço no mundo.

Conseguimos nossa logomarca de uma paciente que faz parte da associação: Fernanda Pinheiro.
Olha a ideia:

 "Parti da ideia de criar um bonequinho que junto com os outros bonecos representasse algo. Que passasse a ideia de inclusão, acolhimento e esperança. Nisso eu desenvolvi um boneco que junto com os outros formasse uma espécie de flor.As cores escolhidas foram roxo, associando ao maio roxo e laranja. A questão das cores demorou bastante, porque também havia a opção de vermelho. Mas o vermelho ficou visualmente agressivo. Depois veio a parte da decisão se o boneco teria uma marcação onde fica a parte do intestino. Algumas associações fizeram isso. Acabei optando por não fazer a marcação no intestino, já que o boneco se destacava do resto pela cor roxa e a cor roxa já era associado a doença. Logo, ele tem uma marcação por cor." (Fernanda Pinheiro)

Não é muito bacana quando a união faz a força?
Venha fazer parte!

Ana Paula Drumond


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

De onde vem a ajuda?

Tenho estado muito ansiosa. Isso por várias razões: estou sem emprego, estou passando por dificuldades, meu marido abriu um negócio que não tenho nenhum conhecimento, estou concorrendo às eleições do meu condomínio, entre outras coisas. 
Mas no facebook e no instagram, é só felicidade, sempre sorrisos, sempre coisas boas. 
As pessoas acham que eu falo demais na internet, mas a verdade, é que ninguém sabe nada da minha vida. 
Colocar fotos de eventos que vai, de família que encontra, de bichos, compartilhar mil vídeos de cachorrinhos no facebook, é exposição? 
Talvez esteja expondo agora que estou escrevendo no blog sobre isso, mas acho que pra isso que criei esse blog. Além de divulgar o trabalho da AGDII, poder mostrar para os familiares, amigos e portadores da doença que todo mundo passa por problemas e ajudar quem não tem conseguido lidar emocionalmente com essas dificuldades.
Esse ano de 2016 eu tirei para me cuidar, parei todas as atividades estressantes, tirei a rotina do meu dia a dia. Sei que muitas pessoas não conseguem fazer isso, que não tem essa oportunidade que eu tive, mas para tê-la eu abri mão de muitas coisas também, mas pensei em mim. Acreditei em mim e no meu potencial. Poderia ter dado errado? Poderia. Poderia ter ficado em casa o dia inteiro em cima da cama engordando mais e mais, e adoecendo mais e mais? Poderia. 
Mas fiz uma resolução comigo de que era a hora de mudar. Que eu tinha essa chance ou logo estaria passando por cirurgias, e precisando de ajuda dos outros ao invés de ter me ajudado.
Eu posso ajudar você, mas você precisa se ajudar. Você precisa querer e batalhar, porque não é fácil, e não é fácil pra ninguém sair da cama e ir pra uma academia sentindo dores. 
Não é fácil pra ninguém negar um brigadeiro e aderir a coisas saudáveis mas com o sabor de alimentos e não de açúcar. Não é fácil se limpar dos próprios pensamentos negativos que a gente coloca dentro da nossa cabeça por possuir uma doença tão chata, tão feia, tão inconveniente.
Mas eu não posso fazer por você. A AGDII não pode fazer por você. Ir ás reuniões traz conhecimento, traz informações importantes, mas se você não aplicar os conhecimentos, a ajuda que fornecemos, nada vai mudar.
Então, de onde vem a ajuda?
De você.

Boa semana a todos.

Ana Paula Drumond

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Comentários e opiniões de quem nada sabe



Ao saber que uma pessoa próxima tem uma doença crônica, muitos familiares e amigos surtam e começam a opinar sem medida, começam a criticar sem saber, e muitas vezes passam a fazer comentários intempestivos, conflituosos e até mesmo cruéis com o doente.
As questões que os amigos ou familiares devem se perguntar são: Seu comentário será importante na vida do doente? Você está sendo preconceituoso? Você está ajudando o doente?
Quantas vezes ouvimos: “Você não pode comer essa comida, tem queijo”. Bom, muitos pacientes com DII possuem restrições com lactose, mas isso não quer dizer que todos os tipos de queijo são proibidos ou que todos os pacientes possuem essa restrição. Cada paciente sabe ou saberá o que faz mal para ele, e muitas vezes, o paciente não quer pensar nisso naquele momento. Acredite! Muitas vezes a pessoa se programa para comer o alimento mesmo sabendo que pode vir a passar mal, eu, por exemplo, amo um sorvete de determinada loja e sei que ele me faz mal. Entretanto, quando sinto aquela vontade, me programo da seguinte forma: se eu não tenho compromisso no domingo e pretendo ficar em casa no final de semana, como no sábado no fim do dia, que caso eu venha a passar mal, não perderei compromissos e estarei em casa (com o meu banheiro, com o tempo livre). Muitas vezes nem dá nada não, viu? É um direito meu me alimentar da forma que eu achar melhor, e o correto é respeitar as opções do doente.
Também ouvimos quando falamos da nossa restrição para um amigo que vai servir um jantar “Mas um pouquinho faz mal?” Bom, não é fácil para ninguém ser o centro do universo quando o assunto é evento social com comida. Quando somos convidados para uma feijoada, por exemplo, de todos os pratos servidos, o que podemos comer são arroz e laranja. O feijão costuma fazer mal, a carne de porco também, geralmente os condimentos para o caldo fazem mal também, bem como a couve. A maioria das vezes que me chamam para feijoada eu vou ao evento, mas eu me alimento antes. Ninguém que faz feijoada quer preparar outro prato especial para quem tem DII. A pessoa na maioria das vezes nem sabe o que é DII, como ela vai preocupar com uma coisa que ela não conhece? Quantas vezes me perguntaram: “E se eu bater no liquidificador?”, “E se eu não colocar a pimenta?”, “E se você comer a carne de boi que tem na feijoada?”, “E se comer só o feijão?”, “E se eu coar o feijão?”, “E se você comer só a carne?”, “Come só um pouquinho, não vai fazer mal, é tudo caseiro.”, “ Mas o porco é caipira.”, “E se a couve estiver crua?”, entre outras perguntas e comentários. Por favor, não faça isso, é constrangedor! Não insista com o doente se ele disser que não pode, não ofereça outras formas de preparação, se o doente se interessar, ele vai falar. Mas o pior mesmo e pelo amor de Deus nunca faça isso é dizer: “Fulano é cheio de frescura pra comer.”. Sabe, magoa muito. Não é opção da gente.
Outra coisa que abala muito a auto-estima dos pacientes com DII são as brincadeiras dos colegas no ambiente de trabalho. É extremamente chato você ter um diagnóstico de dor de barriga e TODA VEZ que você passa mal, você ter que encarar fila do médico para pegar o atestado de um dia, para uma condição que você na verdade deveria estar quieto dentro da sua casa. Você não está bem, precisa de privacidade, precisa de banheiro o tempo inteiro, mas o infeliz do RH quer um atestado para não cortar seu ponto, por isso você tem que encarar um consultório cheio (por que você provavelmente será encaixe), ficará muito tempo sentado (suando frio, sentindo dor e esperando o último paciente que  estiver agendado) porque seu empregador não acredita em você. E no dia que você volta a trabalhar os coleguinhas ainda tem a pachorra de perguntar: “E aí o que você tinha?”, ou com algum tom irônico “tava de folga querido?”.
Tem também aqueles comentários “Doença auto-imune não é você que criou? Então você é capaz de curar”, “Você precisa de fé para curar isso” ou o clássico “Eu conheço uma fulana que tem isso e que tomou tal chá e curou...”. Quer dizer, nem os cientistas conseguiram achar a cura da DII, mas tem um chá que essa pessoa está receitando que com certeza é a cura de seus problemas.
Será que a pessoa não pensa que sugerir que você é capaz de se curar SOZINHO, que você não está tentando suficientemente é extremamente cruel?
Tudo isso que escrevi são relatos reais, que eu passei e passo direto no dia a dia, e por educação, por saber a ignorância das pessoas eu tenho tido a paciência de explicar, de debater, mas que se você não tem DII e está lendo isso aqui, por favor, reflita sobre isso. Não é legal criticar, não é legal brincar com os sentimentos dos outros e muito menos ser intolerante.

Ana Paula Drumond


domingo, 25 de setembro de 2016

Mais uma linda história

Abaixo transcrevo a história da Damaris Morais:

16 anos de ostomia



"Bendiga ao Senhor a minha alma! Bendiga ao Senhor todo o meu ser!

Bendiga ao Senhor a minha alma! Não esqueça de nenhuma de suas bênçãos!"

Salmo 103:1-2


Todos os anos nesse dia comemoro esse novo aniversário que Deus tem me permitido viver. Esse ano vou fazer isso compartilhando minha história atualizada aqui. Como é longa, fiz um resumo no começo. Reler o que aconteceu antes e depois da minha ostomia me faz ainda mais grata a Deus por tamanha graça.



Posso definir minha vida adulta em A.O. e D.O – Antes da Ostomia e Depois da Ostomia. A.O. foram anos 3 D: Doença, Dor e Diarréia. Era só isso que eu vivia. Trabalhava nos pequenos períodos de remissão. Vivia tensa pelo medo, pela dor. Os anos D.O. – 16 agora, têm sido o contrário de tudo isso: Saúde, Alegria, Paz. Muito trabalho e muita diversão também. E acima de tudo uma profunda gratidão a Deus por ter poupado minha vida por meio dos médicos e da ostomia e me capacitado a viver tão bem depois dessa cirurgia.

Aprendi que não tenho controle sobre muita coisa nessa vida – agora nem sobre minhas evacuações – e que isso me liberta para ser mais feliz. Assim que me recuperei passei a trabalhar com a reabilitação de recém-ostomizados na associação. Quero dividir com outros tudo que tenho aprendido. Trabalho também com a defesa dos nossos direitos, agora como deficientes físicos, sem esquecer que deficiência não quer dizer falta de eficiência, mas, no nosso caso, simplesmente uma necessidade especial.
Continuo expandindo meus limites. Como de tudo (mastigando bem e evitando excesso de fibras), me aposentei como professora de inglês e no ano passado me formei em psicologia. Viajo muito e adoro esportes que me levem para perto da natureza: bóia cross, trilhas, mountain bike. Há 9 anos troquei o carro pela bicicleta, minha cidade é plana e adoro a liberdade que a bike me proporciona. Engravidei novamente há 9 anos, mas a gravidez não foi adiante, porém a ostomia não teve nada a ver com isso.
Logo que saí do hospital o que eu mais queria era conversar com outro ostomizado, então hoje aconselho a todos que não se isolem, que busquem os companheiros para conviver, para aprender e depois para ensinar. Se o ostomizado tem uma cirurgia bem feita, bolsa de boa qualidade e informação, já está a mais de meio caminho andado para perceber que: “seus limites estão na sua cabeça e não na sua ostomia ”. Essa é a frase que uso na abertura da cartilha da mulher, que elaborei quando tinha menos de um ano de ostomia: Mulher com Ostomia, você é capaz de manter o encanto. Acabei de atualizá-la, é a sétima edição disponível em http://www.ostomizados.com/downloads/Cartilha_da_Mulher_Com_Ostomia-7Ed_web.pdf





A história longa...



Tive meu primeiro sintoma de retocolite 31 anos atrás, aos 20 anos. Coisa à toa, sangue nas fezes, sem diarréia, sem dor. Raro foi o diagnóstico imediato: retocolite. 3 semanas depois não tinha mais sintomas, 6 meses depois tive alta. O médico só não me disse que eu não estava curada, mas somente em remissão. O que foi bom, porque passei 7 anos sem sintomas e, portanto, sem preocupação.

Quando estava grávida comecei a sangrar de novo. Usei pouca medicação por causa da gravidez, mas fiquei bem. Tive uma gravidez perfeita, um filho perfeito. Quando ele estava com 9 meses e eu já havia voltado a trabalhar, tive minha primeira crise grave. Mas não aceitei fazer o tratamento indicado, não queria deixar de amamentar. Amamentava no vaso sanitário. Fui piorando. Só o supositório não era suficiente para que eu melhorasse, era necessário corticóide, eu não queria. 1 ano depois eu já tinha perdido peso demais, estava fraca demais e o médico me disse sério que era melhor que meu filho tomasse mamadeira da minha mão do que ficar sem mãe para dar peito ou mamadeira. Cedi, vocês verão que eu demoro um pouco a aceitar certas coisas. Sou teimosa. Melhorei. Por pouco tempo, logo tive outra crise grave. O médico me falou sobre ostomia. Não quis nem encompridar a conversa. É temporário, ele insistiu. Eu vou sarar, eu respondi.
E eu tentei, tentei tudo que ele mandou, tudo que me ensinaram, todas as medicinas: alopatia, homeopatia, fitoterapia, terapia, um tipo de hipnose, psiquiatria. O psiquiatra disse que eu não tinha nenhum sintoma que ele pudesse tratar: não era depressiva, não sofria de ansiedade, não tinha problemas para dormir... a não ser a diarréia é claro. Mas essa, não era ele que tratava. Eu trabalhava 7, 8 meses, durante as melhoras e tinha outra crise que me obrigava a entrar de licença.
Lembro-me de um carnaval. Eu adoro viajar, mesmo doente eu viajava o máximo que podia. Meu médico dizia: mas e se você sangrar durante a viagem? Eu dizia: melhor me divertindo do que esperando por isso. Hoje eu sei que ele não falava de simples sangramento retal, mas de algo mais grave, que graças a Deus nunca aconteceu. Nesse carnaval eu estava muito mal. Tão mal que meu marido viajou para casa de parentes com meu filho que tinha pouco mais de três anos e eu tive que ficar. Ficar numa cama bem perto do banheiro. Naquele sábado de carnaval, pela primeira vez senti realmente inveja de alguém. Eu vi na televisão várias pessoas pulando carnaval e eu invejei a saúde delas. Eu não queria pular carnaval, eu queria cuidar do meu filho, e nem isso eu conseguia mais. Depois melhorei. Prestei concurso para professora, passei, estava numa fase ótima. Voltei a trabalhar em dois empregos. 8 meses, e tive outra crise grave. Não pude entrar de licença no serviço público porque ainda estava em estágio probatório, perdi meu emprego e ainda fui chamada a dar explicações, eu e meu médico, sobre como uma pessoa com uma doença crônica assume um cargo público. Eu, que naquela época ainda não sabia lutar pelos meus direitos, pedi exoneração. Hoje não faria isso. Novamente o médico me falou sobre ostomia, novamente eu prometi melhorar. Tentei, gastei o equivalente a um apartamento nesses anos de tratamento, mas as crises se tornaram mais longas que as remissões. Passei a dormir no banheiro, num edredom, eu tinha mais diarréia à noite, não valia a pena voltar para cama.
Houve um dia muito triste para mim, foi quando eu estava passeando perto de casa com meu filho e vi que ia ter diarréia, estava tão acostumada com isso que entrei na primeira lojinha que vi e pedi para usar o banheiro. Eu ia a qualquer banheiro: posto de gasolina, oficina mecânica, feminino, masculino, limpo, sujo, mas esse tinha algo diferente: tinha um espelho grande quebrado num canto em frente ao vaso. Meu filho como de costume entrava comigo, eu nunca o deixava do lado de fora com medo de que ele se afastasse ou alguém o levasse. Vi meu filho no reflexo do espelho, me mostrando um bichinho de plástico. Daí vi o meu reflexo. Fiquei chocada, foi a primeira vez que vi meu rosto se contorcer de dor, todas as veias do meu rosto ficaram inchadas quando veio a cólica, a cólica que vinha antes do sangramento. Era esse rosto que meu filho via todos os dias, várias vezes por dia. Eu precisava fazer alguma coisa. Mas usar bolsa? Eu não conseguia imaginar que teria vida usando bolsa de colostomia. Eu pensava, porque tanto sofrimento? Eu não sabia ainda, mas estava em treinamento. Estava sendo treinada para entender a dor dos outros, de uma forma bem eficaz: com a minha dor.
Fui piorando, fui internada, fiz mais uma de várias colonoscopias, a pior de toda a minha vida. Eu estava muito fraca, pressão sempre baixa, não podia tomar nada forte para dor. Quando o exame terminou eu disse para minha irmã: diga ao meu médico que ele pode tirar meu intestino, jogar no lixo, porque eu nunca mais na minha vida faço outra colono. Mas meu médico já tinha decidido pela cirurgia, já tinha ligado para meu marido e para minha mãe. Não tinha mais jeito. Quando eu pensei que decidi, já havia sido decidido. Só que aí eu não tinha mais condições físicas para ser operada: coagulação, pressão, tudo alterado. O médico decidiu esperar mais uns dias, tomei muitas injeções de vitamina k, fui para casa. Já não saia da cama, nem para ir ao banheiro, usava fralda, não conseguia dormir de dor, não enxergava direito, não conseguia ler, não conseguia me concentrar em nada, nem TV, nem livro ou revista. Meu pensamento ficou errático. Eu não tinha lugar.
Finalmente o médico disse que íamos fazer a cirurgia, que correu maravilhosamente bem apesar da pouca anestesia que tomei. Quero dizer, tecnicamente deu tudo certo, mas senti muita dor, saí reclamando de dor do centro cirúrgico e assim fiquei na UTI por horas. Até que uma médica me disse que ia me dar a injeção mais forte que eu poderia suportar, não podia me dar nada mais forte, e que eu me calasse. Eu me calei e depois da injeção pude finalmente enxergar os outros habitantes daquela UTI, até ali eu estava tão mergulhada na minha dor que não tinha enxergado ninguém. No outro dia saí da UTI, em 5 dias saí do hospital! Tudo correndo bem com a cirurgia. Tinha muita cólica quando comia, não queria comer. Vomitava muito. Chorava todos os dias, no final do dia. Entrei em depressão. Uma estomaterapeuta foi à minha casa me ensinar a trocar a bolsa, estava tudo certo. Eu só chorava. Um psicólogo foi me tratar em casa, não adiantou. Eu disse para minha irmã: olha, eu estou muito chata, nem eu estou me agüentando, eu não sou assim, me leve a um psiquiatra, preciso de remédio. E assim foi. Ela me levou a um psiquiatra de quem graças a Deus eu não lembro nome e ele me disse: você usa bolsa de colostomia? Tem razão para estar deprimida, vai usar antidepressivos o resto da vida!
Tenho que admitir que, apesar de ser um ignorante a respeito de ostomia, ele acertou com o remédio, em 10 dias eu era outra pessoa, ou melhor, eu voltava a ser eu mesma. Os comprimidos acabaram, eu nunca mais vi esse médico e nesses dias tinha acontecido uma coisa muito boa na minha vida: aliás várias: Eu não sentia mais dor. Eu não tinha mais diarréia. Eu podia comer chocolate. Eu podia tomar leite. Eu dormia a noite inteira. E eu fui à associação de ostomizados da minha cidade. Lá as coisas realmente começaram a se encaixar. A enfermeira que me recebeu foi logo dizendo: que tal vestir uma roupa mais bonitinha? Eu estava de camisetão e a bolsa pendurada por cima de uma calça baixa. E eu os vi: tantos ostomizados e ostomizadas. Jovens, velhos, crianças. Rindo, trabalhando, trocando idéias sobre como disfarçar a bolsa, sobre como namorar de bolsa, sobre viver. Eu tinha achado dezenas de respostas, para perguntas que eu já tinha feito e para muitas outras que eu nem sabia que faria. Eu queria aprender tudo, sempre gostei de aprender e como sou professora, não sei aprender sem ensinar. 6 meses depois comecei a trabalhar como voluntária na associação, 1 ano depois fizemos a cartilha da mulher, que está na 7 ª edição, e já está disponível na internet. Comecei a participar de congressos mundiais, o inglês me ajudou muito nisso. Envolvi-me com a luta pelos direitos dos ostomizados, desde então faço parte da diretoria da minha associação. Há 14 anos decidi ser visitadora. Fiz o curso no Hospital do Câncer da minha cidade porque é onde consigo visitar o maior número de ostomizados em menos tempo. Há 9 anos a equipe de cirurgia do aparelho digestivo desse hospital me convidou para fazer a visita médica com eles. Lá eles me indicam os ostomizados e eu já fico sabendo pela apresentação do caso se a ostomia será temporária, se é um paciente terminal ou inoperável, enfim, volto depois para minha visita já com várias informações. Aí converso com o paciente sobre o que realmente interessa: a bolsa. No início da visita não digo que sou ostomizada, só ouço o que o paciente acha dessa situação. Depois conto, e geralmente mostro, porque eles não acreditam. Aí sim, eles estão prontos para me ouvir. Porque não há profissional, por mais que saiba, por mais que se importe com um paciente, que tenha a autoridade para falar sobre o que é usar uma bolsa, do que outro ostomizado. E eles sabem disso. Pra mim eles não podem dizer assim: "você diz que é fácil porque não é com você, queria ver se fosse com você..." que é o que eles às vezes dizem para os profissionais que querem fazê-los acreditar que podem ter uma vida normal. Eu não digo a eles que podem ter uma vida normal. Eu mostro a eles que eu tenho uma vida normal. Tenho uma necessidade especial, luto por ela, não me envergonho dela. E sou feliz. Sou abençoada. Quando Deus permitiu que eu sobrevivesse, que me tornasse uma ostomizada, tinha um propósito para isso. Cada um tem que descobrir o propósito que Deus tem para sua vida e que com certeza não é ficar se lamentando. Quando me perguntam como eu disfarço a bolsa, eu ensino. Quando me perguntam sobre a minha vida sexual eu digo que melhorou muito, eu vivia doente, tinha que interromper uma relação sexual para correr para o banheiro. Hoje vou ao banheiro antes e até amanhã! Quando completei 7 anos de ostomizada o médico me disse, agora dá para fechar. Eu disse: fechar? E se não der certo? E se eu ficar incontinente? E se eu precisar ir ao banheiro 4, 5 vezes por dia? Com pressa? Como vou pedalar com minha turma por 4 horas? Ninguém vai me esperar ir ao banheiro, prefiro minha bolsinha. Ele disse: isso pode acontecer mesmo. Aí eu decidi fazer uma tatuagem na minha cicatriz, ficou linda. Para comemorar que estou ótima. O tatuador disse assim: talvez não dê para cobrir sua cicatriz totalmente. Eu disse a ele, não tem importância, eu me orgulho muito dessa cicatriz, me foi muito útil, só quero enfeitá-la. E assim ele fez, dizendo que nunca tinha ouvindo ninguém dizer que se orgulhava de uma cicatriz. Minha cicatriz é a assinatura de Deus no meu abdômen, feita pelo meu médico, dizendo assim: "seja feliz minha filha", e também: "tenho muito trabalho para você"!

Se algum dia já fui discriminada por ser ostomizada, não percebi, mas sei de muitos amigos meus que já foram. Desde 2004 somos considerados por lei como deficientes físicos e como associação lutamos contra a discriminação, lutamos por políticas públicas de atenção aos ostomizados, por bolsas de boa qualidade, por atendimento profissional de excelência. Como pessoas lutamos para expandir nossos limites. Eu vou a clubes, pratico esportes, troquei o carro pela bicicleta, vivo hoje muito melhor do que há 20 anos. Tenho amigas que tiveram bebês depois da ostomia. Me formei em Psicologia e estou me especializando em Psicologia da Saúde e Hospitalar. Já estou trabalhando e quero alargar meus horizontes: Deus permitindo, terei oportunidade de ajudar muitas pessoas, com ostomia, ou não, a enxergarem as possibilidades que existem de se viver melhor, seja durante um tratamento, seja curadas, ou mesmo vivenciando a terminalidade da melhor forma possível! Fiz mais 3 cirurgias depois, hoje tenho uma ostomia definitiva e ainda alguns desafios relacionados à minha saúde, mas a cada dia me sinto mais forte, mais saudável e louvo a Deus por me dar essa segunda chance de ver meu filho crescido, agora já casado, de aprender tanto, de amar o meu próximo, de ser serva, de ser feliz. 


Boa semana a todos!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Minha História


Oi.
Meu nome é Ana Paula e sou portadora de Doença de Crohn com diagnóstico há 4 anos.
Desde minha infância convivo com a Doença de Crohn pois minha mãe foi diagnosticada quando meu irmão mais novo nasceu, eu tinha seis anos em 1989. Meu pai é médico ginecologista e obstetra, e quando meu irmão nasceu de cesariana o médico que fez o parto da minha mãe viu "uma bola de pus" e sem saber o que fazer, ligou para o meu pai pedindo orientação. Ninguém sabia o que era, meu pai estava de plantão, minha mãe quase morreu por várias vezes naquele dia, mas resolveram fechar a barriga sem mexer, já que não sabiam do que se tratava. Outro médico tomou frente e durante muitos anos minha mãe foi perdendo partes consideráveis do intestino (como eu disse, eu era muito nova), lembro-me de ajudar a fazer curativos, das enormes erupções que pareciam um vulcão com pus na virilha dela, de drenar junto com meu pai, e de ter que cuidar do meu irmão com a babá enquanto minha mãe saia e entrava de cirurgia sem parar. Eu lembro também de ouvir muito a palavra fístula, da minha mãe ficar com a barriga aberta, de ver ela chorando por brigar com seus médicos que "não faziam nada" na visão dela.
Minha mãe faleceu eu tinha 17 anos,  e com 18 começou a minha saga com a DII. Fui operada com apendicite dois meses depois do falecimento da minha mãe, e todas as vezes que eu tinha crises de vômito, por meu pai ser médico, ele mesmo me medicava com plasil, soro e eventualmente as dores e os vômitos cessavam. Quem é filho de médico sabe como é essa coisa de tratar sem fazer exames. E assim levei minha vida até os 29 anos, quando estava estudando para concurso ficava muito tempo sentada e comecei a sentir muitas dores na barriga, além de ter passado muito mal durante uma viagem de reveillon. Cansada de ter esse tratamento sem diagnóstico, fui atrás de um especialista que me diagnosticou com Crohn após muitos exames. O médico que me diagnosticou foi médico da minha mãe, estava ainda grogue da anestesia da colonoscopia quando eu vi ele falando para meu marido: "Você conheceu a mãe dela? A doença é igual ou pior que a dela".
Meu marido ficou arrasado, achou que eu fosse morrer rapidinho...
Mas junto com o diagnóstico o médico fez uma carta e me encaminhou para um médico que é especialista em Doença de Crohn.
Fui muito assustada, mas o médico que me atendeu me explicou que antigamente o tratamento para a doença era outro, que nada se sabia, e que hoje a medicina avançou mais um pouco. Me falou dos remédios biológicos, e logo me passou a receita para buscar essas medicações de alto custo pois meu caso era realmente complicado naquele momento.
Comecei a tomar o Humira e azatioprina, por seis meses minha qualidade de vida melhorou muito, mas estava debilitada e sentindo muitas dores. No trabalho então, como era difícil lidar com isso!
Com nove meses de tratamento, o medicamento começou a perder o efeito, estava tomando muito mais medicação que eu conseguia pegar no SUS e estava recebendo as injeções extras através de doações. Minha barriga ficava roxa de tanta injeção, até o momento que o médico disse que não estava adiantando nada.
Passei por uma internação longa nesse período, tomei corticoide e depois me foi receitado o Remicade.
Com o remicade fiz um ano de tratamento sem qualquer resultado, com mais corticoides, com azatioprina. Estava sempre inflamada, com dor, cansada. 
Comecei a engordar muito, me descuidei demais.
Ano passado resolvi mudar minha vida, participei de um grupo de estudo de um novo tratamento.
Me sentia pesada, infeliz, cansada e com dor, e queria fazer dieta. Pesquisei um pouco e comecei em janeiro desse ano a tomar sucos detox e a fazer exercícios físicos. Comecei aos pouquinhos, e fui me sentindo melhor. Depois dos primeiros dez quilos perdidos já não estava mais sentindo dor na barriga, estava mais entusiasmada e comecei a me exercitar diariamente, incluindo corrida o que me faz muito feliz pois nunca consegui correr na vida!
Assisti vários documentários sobre nutrição como: Fat, sick and nearly dead 1 e 2, Food Matters, Feed Up, e comecei a entender um pouco sobre os benefícios da melhor alimentação, quando tinha emagrecido 15 quilos consultei com meu médico e relatei que não sentia mais dor na barriga, mas infelizmente meus exames não tinham mostrado nenhuma melhora. Fiquei um pouco triste, mas refleti sobre isso e pensei que a melhora não viria tão rapidamente para quem possui uma doença crônica. Emagreci mais 8 quilos (no total 23 quilos) e na última consulta meu exame de calprotectina fecal deu normal. 
Pense numa mulher feliz! Eu ria, eu chorava! Meus sintomas desapareceram logo após a perda dos dez primeiros quilos com a inserção dos sucos detox, mas efetivamente nos exames fui melhorar somente agora em agosto de 2016. 
Sei que não estou curada, mas sinceramente o que importa, é a melhora dos sintomas. Até hoje não passei por nenhuma cirurgia. Tenho uma estenose séria no íleo, mas até hoje consegui evitar a cirurgia. Porque eu tenho medo? Você não leu o relato acima sobre minha mãe? Vou fugir disso como eu puder, mas se não tiver jeito, aí vamos lá...

Gostaria de poder falar pra vocês: "façam isso que dará certo", mas se eu fizer isso estou sendo imprudente, a doença de cada um age de forma diferente, tem gente que tem mil restrições, tem gente que não tem nenhuma, tem gente que tem diarreia, tem gente que tem prisão de ventre, enfim, somos diferentes.

Mas vim contar minha história pra dizer pra vocês procurarem seu caminho, não desistirem e entender que apesar de termos momentos de crises, podemos ter muitas alegrias.



Boa semana a todos!


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Doença de Crohn, ou RU; teorias de causa e feito.


Texto retirado de HealthUnlocked com a autorização da autora

Doença de Crohn, ou RU; teorias de causa e feito.


Prezados colegas de Crohn e RU, um momento de reflexão sobre a doença inflamatória intestinal. Alguns já vem seguindo minhas postagens aqui e espero estar trazendo novidades.
Todos nós sabemos que a Doença de Crohn é uma doença inflamatória crônica que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal, embora comprometa preferencialmente o íleo (segundo médicos e a literatura). Apesar de incessantes investigações, as suas causas (etiologia e patogênese) ainda permanecem desconhecidas para a maioria dos médicos. Todos os médicos que nós consultamos afirmaram que Crohn não tem causa conhecida. Esse é um posicionamento bastante conveniente e cômodo para um médico, uma vez que se trata de uma doença complexa que demanda de muita leitura e estudo e, obviamente, médicos com conflitos de interesses não vão querer investir nisso.
Enquanto isso, várias hipóteses têm avançado na compreensão da doença de Crohn, ou RU. A TEORIA MAIS ATUAL considera que se trata de uma doença multifatorial que ocorre em indivíduos com predisposição genética, e que fatores, como alimentação inadequada (inflamatória) e ação de microrganismos patogênicos, têm sido considerados responsáveis pelo desenvolvimento de uma resposta inume inadequada.
Recentemente, um trabalho de revisão científica de Gonçalves (2013) intitulado “Relação entre a Infeção por Escherichia coli Aderente-Invasiva e a Doença de Crohn” mostra o seguinte relato: “O possível envolvimento de um organismo infecioso, em particular a Escherichia coli Aderente-Invasiva (AIEC), tem estado sob investigação. A análise da flora bacteriana associada à mucosa ileal revelou uma anormal colonização da AIEC nos pacientes com Doença de Crohn. Estas bactérias são capazes de aderir e invadir as células epiteliais intestinais, assim como, penetrar e replicar extensivamente no interior dos macrófagos, sem induzir a morte da célula hospedeira. Por outro lado, a permeabilidade intestinal está significativamente aumentada nos indivíduos com Doença de Crohn. A AIEC diminui a resistência elétrica transepitelial e altera a estrutura morfológica das junções celulares, o que pode contribuir para esse aumento de permeabilidade. Pensa-se que as células M poderão constituir um potencial alvo de entrada que permite a interação bacteriana com os macrófagos da lâmina própria. Estudos in vitro têm demonstrado que os macrófagos infetados produzem grandes quantidades de fator de necrose tumoral α, e induzem a formação de agregados de células muitos semelhantes aos granulomas epitelioides. Estas estruturas representam uma das marcas histológicas características da Doença de Crohn”.
Veja trabalho completo no link bdigital.ufp.pt/bitstream/1...
Então é isso? Determinadas bactérias patogênicas oportunistas são responsáveis por uma resposta imune errática.
Compreendi também que a inflamação crônica do intestino, quando instalada, traz agravantes recorrentes, como a ação da bactéria Clostridium dificille que tem uma relação direta com o agravamento dos sintomas, como aumento do muco, cólicas, piora do quadro de diarreias com ou sem sangue. No início do ano (março) minha filha (crohn desde abril de 2015) apresentou esse quadro clínico de piora dos sintomas, soltando muito muco nas fezes e com aumento das cólicas. Solicitei ao pediatra de minha filha um exame para cultura de C. dificille, e o resultado foi positivo. Consultei a literatura para uma terapia de tratamento para esta bactéria e também procurei a opinião do médico Arnaldo Ganc do hospital Albert Einstein - ele foi categórico dizendo que a primeira linha de tratamento seria com o antibiótico Flagil (metronidazol) 400 mg durante duas semanas, e a literatura confirmou isso. Ao final do tratamento o muco diminuiu 80 % e as cólicas também diminuíram (graças a Deus). A segunda linha de tratamento para C. difficile, segundo o Dr. Arnaldo Ganc, seria o transplante de microbiota fecal, que é muito mais eficiente. Sugiro àqueles que estiverem com esses sintomas que façam testes para essa bactéria.
O texto abaixo reflete uma abordagem muito interessante e atual sobre doença inflamatória intestinal. Sugiro atenção ao ler.
Por Paul Jaminet – 14 de Julho de 2010. (traduzido)
Infelizmente, duas pessoas queridas desenvolveram recentemente colite ulcerativa. Ambos moram na mesma casa – um indício de que a doença tem uma causa comum, como a dieta ou um patógeno infeccioso.
A colite ulcerativa está estreitamente relacionada com outras doenças inflamatórias do intestino, como a doença de Crohn. Pacientes de Crohn apresentam danos no intestino delgado, assim como no cólon, mas muitos dos sintomas sobrepõem-se. É bastante provável que todas as doenças inflamatórias do intestino são essencialmente a mesma doença induzida por diferentes moldes de agentes patogénicos.
Estas doenças, provavelmente, se desenvolvem através de uma hierarquia de causas:
• toxinas de alimentos danificam o intestino e o torna permeável para bactérias e proteínas bacterianas.
• A desnutrição diminui a resposta imune a toxinas e atrasa a cicatrização de lesões intestinais. Isso faz com que o intestino fique ainda mais permeável e danificado.
• A baixa imunidade permite que as bactérias penetrem na mucosa do intestino e infectem as células intestinais, e entrem no corpo e criem infecções sistêmicas, incluindo infecções intracelulares de células do sistema imunológico. A resposta imune a estas infecções cria um ambiente inflamatório, que faz com que o intestino fique permeável. As infecções também diminuem a capacidade do sistema imunológico de curar o intestino.
• A entrada de toxinas e bactérias no corpo leva à autoimunidade. Toxinas alimentares se ligam com as proteínas humanas e mobilizam os anticorpos contra a proteína humana; proteínas bacterianas, que simulam a atividade de moléculas de proteínas humanas, também disparam anticorpos que atingem ambas as proteínas bacterianas e humanas.
• Auto-imunidade leva a mais danos ao intestino e outros tecidos, como a tiróide, que são importantes para a função imune e cicatrização de feridas. O hipotiroidismo, por exemplo, promove a progressão da doença.
• Em seus estágios iniciais, o desenvolvimento da doença pode ser acelerado por um histórico de uso de antibióticos ou uma infecção que causa diarreia severa. Estes matam bactérias intestinais amigas e facilitam a sua substituição por bactérias patogênicas.
Se priorizarmos estes em termos de danos causados, logo, a colite ulcerativa pode ser considerada uma doença infecciosa e autoimune, uma vez que esses dois fatores causam os danos mais graves. Em geral, não está claro qual deles está fazendo o maior dano. Toxinas de alimentos e desnutrição continuam sendo fontes secundárias de danos. Por outro lado, se darmos prioridade cronologicamente em termos das causas originais, a doença é originalmente causada por toxinas alimentares e desnutrição e, por vezes, pelos antibióticos, que causam infecções e danos intestinais, seguido por autoimunidade.
Natureza multifatorial da doença, e a cura
Dado os muitos fatores que contribuem para a doença, muitas etapas podem ser necessárias para curar a doença:
• Várias táticas alimentares e nutricionais são críticas, como a eliminação de toxinas e a otimização dos níveis de vitamina D, que estão entre os passos mais importantes. A maioria dos tratamentos médicos tendem a ser ineficazes se a dieta do paciente continua inadequada.
• Medidas para melhorar a flora intestinal podem ser essenciais. Essa é uma abordagem fascinante que está migrando gradualmente da medicina alternativa para hospitais de pesquisa. As bactérias amigáveis se tornam guerreiras contra patógenos para o benefício do paciente.
• Os tratamentos médicos podem ser muito útil, e pode incluir antibióticos como rifaximin para tratar infecções e hormônio da tireoide para promover a imunidade. Extremamente popular entre os médicos é a utilização de fármacos anti-inflamatórios para ajudar a reduzir os danos autoimune. No entanto, ambos os antibióticos e anti-inflamatórios são perigosos.
Os médicos têm uma escolha de terapias anti-inflamatórias e imunossupressoras apropriadas para doenças autoimunes, e terapias com antibióticos e probióticos apropriados para doenças infecciosas.
Há um viés de entendimento que defende a teoria de que ao derrotar as infecções, muitas doenças autoimunes poderão desaparecer dentro de alguns meses após as infecções que as causaram forem derrotadas.
O intestino é a linha de frente da saúde. O intestino humano abriga 100 trilhões de bactérias de milhares de espécies diferentes [ 1 ], pois eles pesam vários quilos e compõem cerca de metade do peso seco das fezes. Para controlar essas bactérias de 70% a 80% das células do sistema imunológico do corpo são normalmente encontrados dentro e ao redor do intestino.
Um intestino saudável é protegido por uma camada de mucosa que se destina a promover comensais (bactérias amigáveis), proporcionando uma barreira para bactérias patogênicas. Os seres humanos desenvolveram maneiras de “alimentar” as espécies de bactérias comensais. Por exemplo:
• Muco humano é feito de glicoproteínas, ou compostos à base de proteína e açúcar. Certas bactérias probióticas, tais como Bifidobacterium bifidum, são capazes de digerir muco humano [2]. Assim, o intestino humano evoluiu para produzir ”alimento” para as bactérias intestinais benéficas, garantindo que eles sejam mantidos mesmo durante longos jejuns.
• O leite materno contém açúcares especiais, chamados oligossacarídeos do leite humano, que especificamente alimentam as B. bifidum e asseguram que esta espécie colonize com sucesso o intestino do bebê e evita infecções [ 3 ].
A ausência desta barreira protetora de muco e bactérias amigáveis torna o intestino extremamente vulneráveis a doenças infecciosas. Os bebês prematuros que são alimentados com fórmulas infantis e não o leite materno, muitas vezes contraem uma infecção intestinal perigosa, a Enterocolite Necrosante [ 3 ].
Além de bactérias patogênicas, o intestino é confrontado com uma pesada carga de toxinas. Foi estimado que uma pessoa comum consome em média de 5.000 a 10.000 toxinas diferentes de plantas, acumulando 1500 mg por dia, além de 2000 mg de toxinas queimadas geradas durante o cozimento [ 4 ].
É importante compreender como os 1500 mg de toxinas naturais provenientes de plantas danificam a parede intestinal e sua mucosa, deste modo causando doenças intestinais infecciosas.
Toxidade dos cereais integrais:
Gramíneas tornaram-se os alimentos básicos da agricultura por causa de seus ricos rendimentos: uma única planta pode gerar dezenas de milhares de sementes por ano.
No entanto, esta prolífera produção de sementes sempre tornou as gramíneas atraentes para os herbívoros, e fez com que sementes desenvolvessem altos níveis de toxinas destinadas a envenenar o trato digestivo de mamíferos, permitindo, assim, que suas sementes passem através do intestino de herbívoros sem serem digeridas. São essas toxinas que fazem os grãos de cereais serem tão perigosos para a saúde humana.
A eficácia das toxinas de grãos em prejudicarem a digestão humana é representada pelo aumento da massa fecal que produzem:
Para cada grama de farelo de trigo comido, o peso fecal aumenta em 5,7 gramas [ 5 ].
Ao inibir a digestão humana, toxinas do trigo aumentam dramaticamente a quantidade de amido não digerido atingindo o cólon. Este maior fornecimento de alimentos aumenta substancialmente a população bacteriana – e a presença de amido, o que é normalmente disponível no cólon, favorece o crescimento das espécies patogénicas.
Infelizmente toxinas do trigo fazem muito mais do que prejudicar a digestão de alimentos. Eles também danificam o próprio intestino.
Trigo contém um coquetel de toxinas engenhosas:
• O glúten, um complexo de proteínas, inspira na resposta imune que inflama o intestino em pelo menos 83 % das pessoas [ 6 ], e faz com que o intestino fique permeável, permitindo que as bactérias do intestino e suas toxinas entrem no corpo [ 7 ]. O glúten desencadeia anticorpos anti – trigo em, pelo menos, 30 % da população e os auto-anticorpos, ou seja, anticorpos que atacam as células humanas – em, pelo menos, 0,4 % da população [ 8 ]. Estas pessoas infelizes sofrem de doença celíaca, que assola o intestino, bem como a tiroidite auto-imune [ 9 ].
• Os peptídeos opioides produzem efeitos semelhantes à morfina e heroína. Opioides do trigo têm sido considerados como causadores da esquizofrenia [ 10 ].
• A aglutinina do gérmen de trigo é uma lectina ou uma proteína que se liga a açúcares. Em doses muito baixas, algumas partes por bilhão, causa inflamação do intestino. Em doses alimentares típicas, a aglutinina do gérmen de trigo (WGA) causa descamação do intestino e redução da área da superfície do intestino[ 11 ]. WGA sozinho pode induzir a doença celíaca em ratos [12 ].
Por mecanismos desconhecidos, grãos podem induzir doenças causadas por deficiência de vitamina. Trigo e aveia induzir ao raquitismo [13 ] enquanto o milho induz a pelagra (deficiência de niacina) [14].
Uma vez que tão pouco quanto 1 miligrama de glúten por dia pode impedir a recuperação de uma doença intestinal [ 15 ], é essencial que os grãos sejam totalmente eliminados da dieta nestes casos.
Toxicidade das leguminosas:
Leguminosas também contém uma variedade de toxinas que prejudicam a digestão e danificam o intestino. Alguns exemplos:
• fitoemaglutina, uma lectina de feijão, faz com que o intestino fique permeável; bloqueia a produção de ácido no estômago, promovendo o crescimento excessivo de bactérias do intestino delgado; cria uma população excessiva no intestino de células imaturas que são facilmente colonizados por Escherichia coli e outros agentes patogénicos, prejudica o muco e o intestino [ 16 ].
• inibidores de alfa-amilase em leguminosas atrapalham a digestão do amido e causa um inchaço no intestino e multiplicação das bactérias intestinais patogênicas [ 17 ].
• Anticorpos das proteínas de soja foram identificados em indivíduos com doenças como a duodenite, doença de Crohn, colite ulcerativa, e doença celíaca, e estas doenças são algumas vezes curadas quando a soja é removida da dieta [ 18 ].
Devo ressaltar que a alergia ao amendoim e a soja são uns dos tipos mais comuns de alergias. Isso destaca a considerável resposta imune que a toxina de leguminosas podem gerar.
Toxicidade do Omega-6:
A maioria das pessoas está familiarizada com as evidências ligando a proporção do consumo de ômega-6/ômega-3 com a doença cardiovascular. A maioria dos americanos têm uma proporção de ômega-6 e ômega-3 no tecido que é dez vezes mais alta que culturas com uma melhor proporção ômega-6 e ômega -3, como os esquimós da Groelândia e os japonês, sendo que ambos têm taxas muito mais baixas de doenças cardíacas.
Uma vez que o efeito de um excesso de ômega -6 aumenta significativamente a inflamação e prejudica a função imunológica, é lógico que uma proporção elevada agrava doenças inflamatórias intestinais.
E ele é claro, agrava! O estudo da EPIC (Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição) coletou diários alimentares de 203193 pessoas e os acompanharam por quatro anos [19]:
• Estar no quadrante superior de ingestão de ômega -6 ácidos graxos aumenta o risco de colite ulcerativa em 149 %.
• Estar no quadrante superior de ingestão de ômega -3 DHA, que é abundante em salmão e sardinha, reduziu o risco de colite ulcerativa em 36% – 77% após o ajuste para a ingestão de ômega-6 (Aparentemente aqueles que comiam mais ômega-3 também comiam mais ômega-6).
Outro estudo descobriu que estar na parcela superior da ingestão de DHA (ômega 3) reduziu o risco de colite ulcerativa em cerca de 50 % [ 20 ].
O resultado: qualquer pessoa com doenças inflamatórias intestinais deve limitar estritamente o consumo de ômega-6 e se esforçar para comer um quilo por semana de salmão ou sardinha.
Toxidade da Frutose (metade do açúcar):
A frutose é um açúcar que é tóxico para os seres humanos e inútil – mas é uma rica fonte de energia para as bactérias. O consumo de frutose promove fortemente o crescimento bacteriano no intestino e aumenta os níveis de endotoxinas bacterianas do corpo [ 21 ].
Da fibra:
A maioria das pessoas acha que a fibra é indigesta e que sai nas fezes. Isso não é verdade. A fibra é indigerível para os seres humanos, mas não para as bactérias. A fibra serve de alimento a bactérias que permite que as bactérias do intestino para se multipliquem. Bactérias, não alimentos não digeridos, compõem a maior parte do peso seco das fezes [ 22 ].
Os médicos geralmente recomendam fibras para pacientes com doença intestinal. Embora não seja totalmente sem mérito, este conselho geralmente age contra os pacientes.
Há três problemas: Ajudar bactérias a se alimentarem e se multiplicarem pode ser indesejável, fibras, como os farelos de grãos de cereais, muitas vezes contém proteínas tóxicas e, por fim, todas as fibras de grãos e outros compostos “ásperos e volumosos” danificam a parede intestinal. Dr. Paul L. McNeil explica que:
Quando você come alimentos ricos em fibras, eles chocam-se contra as células que revestem o trato gastrointestinal, rompendo assim seu revestimento externo, prejudicando a flora intestinal [ 23 ].
Fibras solúveis mais macias de frutas e alguns vegetais são muito mais suscetíveis a ajudar do que o farelo de trigo, mas até mesmo elas podem ser algo bom apenas com moderação, ou bom apenas para um intestino saudável. Fibras alimentam bactérias patogénicas, assim como bactérias probióticas, e aumenta as populações de ambos. Quando o intestino está danificado e permeável, mais bactérias significam mais toxinas bacterianas e mais patógenos infiltrando o corpo. Uma dieta pobre em fibras, levando à redução de populações de bactérias no intestino, pode ser desejável para pacientes com doença intestinal.
Outros alimentos tóxicos:
Solanáceas, plantas e sementes de todas as espécies também podem conter toxinas e também pode ser necessário restringi-las para pessoas com intestino danificado.
Proteínas do leite pasteurizado, especialmente a caseína da vaca, também são muitas vezes problemáticas para as pessoas com intestino danificado.
Em geral, todos os alimentos que normalmente produzem alergias tendem a causar problemas em pessoas com intestino danificado.
Todas as proteínas vegetais são arriscadas, como são as proteínas do leite e ovos. É possível minimizar o risco por meio de:
• Comer manteiga clarificada, mas abster-se de laticínios ricos em proteínas (queijos e leite).
• Comer gema de ovo, mas evitar as claras de ovo ricas em proteínas.
Resumo dos alimentos tóxicos para eliminar ou evitar:
Resumindo, pacientes com doenças intestinais devem eliminar os alimentos tóxicos de suas dietas:
• Eliminar todos os grãos, exceto o arroz branco talvez. Trigo, aveia e milho e os seus produtos, como farinha de trigo, amido de milho, pão e massas, devem ser eliminados.
• Eliminar todas as leguminosas, especialmente a soja, feijão e amendoim.
• Elimine óleos ricos em omega 6, tais como óleo de soja, óleo de cártamo, óleo de milho, óleo de amendoim e óleo de canola .
• Elimine açúcares, frutose, com exceção de frutas. Não beba bebidas que contêm açúcar (sucos e refrigerantes).
• Minimize fibras para manter baixo a população bacteriana do intestino e evitar danos na parede intestinal.
• Minimize outras fontes de proteína potencialmente tóxicas. Em geral, a proteína deve ser obtida a partir de carnes de animais e peixes, não ovos, laticínios, ou plantas. No entanto, as gorduras de leite e ovos são altamente desejáveis.
Quando a saúde do intestino é restaurada, laticínios podem ser introduzidos na dieta. No entanto, os principais alimentos tóxicos – grãos, legumes, óleos ricos ômega 6, e frutose – deve ser eliminado para a vida toda.
Preenchendo as lacunas na dieta:
Para a maioria das pessoas eliminar os grãos abrirá uma grande lacuna na dieta. Alimentos que podem ser usados para preencher essa lacuna incluem:
• alimentos vegetais Saudáveis como os “amidos seguros”, tais como, batata doce e inhame, frutas, arroz branco, taro e bagas.
• gordura saturada e óleos ricos em gorduras, manteiga clarificada, óleo de coco, óleo de palma, manteiga de cacau (sim, sobremesas de chocolate são saudáveis!), Junto com azeite e banha de porco. Faça molhos de salada caseiros com estes óleos, ao invés de comprar carnes falsas no supermercado feitas com soja ou óleo de canola.
• Otimize o consumo de ômega-3 ingestão e preze por um consumo baixo de ômega-6, isto inclui consumir carnes, carnes vermelhas (carne de cordeiro), frutos do mar, e consumir pelo menos 1 vez por semana uma porção de salmão ou sardinhas frescas, ricas em omega-3.
Quando o intestino delgado está extremamente danificado, alimentos ricos em gordura podem ser difíceis de tolerar, uma vez que as enzimas que digerem as gorduras e as proteínas dietéticas podem também digerir as células humanas. Nesses casos, a dieta deve se concentrar em alimentos ricos em amido, como a batata, até que a saúde do intestino seja restaurada. Não se esqueça de complementar com vitaminas e minerais nesses casos.
Conclusão:
Eliminar toxinas alimentares pode curar doenças intestinais e sempre melhora o prognóstico.
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